Publicado em: 04/01/2026
Por: Redação Page News
Enquanto a grande mídia ocidental e os grupos de WhatsApp em Fortaleza replicam as imagens de uma "vitória americana" na Venezuela, uma voz dissonante e ácida ecoa vinda das trincheiras da geopolítica independente. Pepe Escobar, renomado analista internacional, lançou um balde de água gelada na narrativa da Casa Branca: para ele, a prisão de Maduro é um "sequestro midiático" que não alterou um milímetro o controle real do país.
"Trump não manda em nada na Venezuela. O governo chavista permanece no poder, e o que vimos foi um 'cabuki' [teatro japonês] para alimentar o ego imperial", afirmou Escobar em suas redes e colunas recentes.
Segundo Escobar, a captura de Maduro não foi fruto de uma supremacia militar inquestionável, mas de um "manual clássico de operações clandestinas". O analista sustenta que o Estado venezuelano não desmoronou e que a estrutura das Forças Armadas permanece intacta e leal ao projeto chavista.
A Brecha: O analista relata que o ponto de ruptura foi a corrupção no entorno imediato da segurança presidencial. "Subornaram o chefe do destacamento de segurança, mas não as Forças Armadas", diz Pepe.
O Papel dos Russos: Contrariando rumores de que comandos russos teriam falhado, Escobar afirma que houve uma tentativa de proteção, mas que a "traição interna" foi mais rápida.
Para Escobar, o erro estratégico de Trump é acreditar que prender a figura central desmantela um sistema que hoje é o pilar do "Sul Global" nas Américas. A análise traz dados que explicam a resiliência do regime mesmo sem o seu líder:
Relação com o BRICS: A Venezuela é o maior fornecedor de petróleo para a China fora do Golfo Pérsico. O apoio de Pequim e Moscou vai muito além de Maduro; é estrutural.
O Eixo da Resistência: O analista argumenta que o governo agora é liderado por figuras como Diosdado Cabello e a cúpula militar, que possuem um "sentimento anti-imperialista" ainda mais radicalizado pela ação americana.
Soberania vs. Petróleo: Escobar alerta que o objetivo real de Trump 2.0 é o controle das reservas, mas que "operar poços de petróleo em um país hostil e sob guerrilha interna é impossível".
Aqui na nossa redação, o impacto dessa análise divide opiniões. Se por um lado os depoimentos de refugiados venezuelanos em Fortaleza falam em "libertação", a visão de Escobar nos obriga a olhar para o tabuleiro maior.
Ramón Silva, venezuelano radicado no Ceará, reage com ceticismo à fala de Pepe:
"Es fácil hablar de 'geopolítica' y 'imperialismo' desde un café en Europa o una oficina en Brasil. Lo que nosotros queremos es que el sistema que nos mató de hambre se vaya con Maduro. Si el chavismo sigue, la herida sigue abierta".
Tradução: "É fácil falar de 'geopolítica' e 'imperialismo' de um café na Europa ou de um escritório no Brasil. O que nós queremos é que o sistema que nos matou de fome vá embora com Maduro. Se o chavismo continua, a ferida continua aberta."
Se Pepe Escobar estiver certo, o "show" de Trump terá vida curta. O analista prevê que a Venezuela entrará em uma fase de "Guerra Híbrida" total, onde o governo chavista, agora operando sob uma mística de "martírio" de seu líder preso, pode tornar a região um pântano para qualquer tentativa de administração americana.
O Page News continuará trazendo todas as faces dessa moeda. Afinal, em 2026, a verdade é a primeira vítima da guerra, mas a última esperança de quem busca entender o mundo.