Publicado em: 04/01/2026
Por: Redação Page News
Fortaleza Domingo, 4 de janeiro de 2026
Se você sentiu que o "B-R-O-Bró" resolveu esticar as férias e invadir 2026, não foi impressão sua. Fortaleza e o interior do estado estão mergulhados em uma bolha de calor sufocante nestes primeiros dias do ano. Segundo dados do Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos), as temperaturas em diversas regiões do Ceará estão registrando marcas de 2 °C a 3 °C acima da média histórica para o período.
O que deveria ser um início de quadra chuvosa tímido transformou-se em um cenário de "sol para cada cearense", com sensações térmicas que já ultrapassaram os 40 °C em cidades como Sobral e Jaguaribe.
O fenômeno não é isolado. Meteorologistas explicam que um bloqueio atmosférico está impedindo a chegada de frentes de umidade, enquanto o Oceano Atlântico mais aquecido do que o normal potencializa o abafamento.
Fortaleza: A capital, que costuma ter a brisa marítima como aliada, registrou picos de 34,5 °C na sombra. Porém, devido à alta umidade e ao "efeito ilha de calor" das edificações, a sensação térmica na Praça do Ferreira chegou aos 39 °C ao meio-dia desta sexta-feira.
Interior: No Sertão Central, a situação é ainda mais crítica. Jaguaribe, tradicionalmente uma das cidades mais quentes do país, viu os termômetros baterem 38,8 °C, uma marca raramente vista logo na primeira semana de janeiro.
Para quem trabalha sob o sol, a onda de calor não é apenas um incômodo, é um desafio físico. Seu Raimundo Nonato, 55 anos, vendedor de água de coco na Praia do Futuro, conta que nunca viu um começo de ano tão "bravo".
"Eu trabalho aqui faz 20 anos. Geralmente, em janeiro, a gente tem aquele ventinho que limpa o suor. Esse ano não. O vento parece que vem do forno. Tenho que beber o dobro de água e trocar o chapéu três vezes por dia porque o suor não para", relata Raimundo, enquanto atende uma fila de turistas desesperados por hidratação.
A saúde pública também acende o alerta. O HGF (Hospital Geral de Fortaleza) e as UPAs da capital registraram um aumento de 15% nos atendimentos por desidratação, insolação e picos de pressão arterial relacionados ao calor extremo nestes primeiros quatro dias de janeiro.
Com a previsão de que essa massa de ar quente permaneça sobre o estado pelo menos até o dia 10 de janeiro, as recomendações são vitais:
Hidratação Estratégica: Não espere sentir sede. Beba água, sucos naturais e água de coco constantemente.
Vestuário: Priorize roupas leves, de algodão ou tecidos que permitam a transpiração. O uso de protetor solar, óculos escuros e chapéus é inegociável.
Horários de Pico: Evite atividades físicas ao ar livre entre 10h e 16h, quando a incidência de raios UV é mais agressiva.
Alimentação: Prefira comidas leves. O corpo gasta muita energia para processar alimentos pesados no calor, o que aumenta a temperatura interna.
Esta onda de calor é mais um sintoma das mudanças climáticas globais que impactam diretamente o Semiárido brasileiro. Especialistas apontam que 2026 pode ser um dos anos mais quentes da década para o Nordeste, exigindo do Governo do Estado políticas mais robustas de arborização urbana e gestão de recursos hídricos. Enquanto a chuva não chega para "lavar a alma" e refrescar o sertão, o cearense vai fazendo o que sabe de melhor: improvisando no ventilador, buscando a sombra do cajueiro e torcendo para que as nuvens de fevereiro cheguem adiantadas.