Janeiro Sangrento no Irã: Mortes Confirmadas e Apagão Digital Elevam Tensão Global - Pagenews

Janeiro Sangrento no Irã: Mortes Confirmadas e Apagão Digital Elevam Tensão Global

Publicado em: 10/01/2026

Janeiro Sangrento no Irã: Mortes Confirmadas e Apagão Digital Elevam Tensão Global
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Por: Redação Page News Fortaleza


Sábado, 10 de janeiro de 2026


O que era uma onda de descontentamento transformou-se em um campo de batalha. As manifestações que sacodem o Irã neste início de 2026 entraram em sua fase mais letal. Enquanto o mundo tentava entender a dimensão dos protestos, o som das balas de borracha foi substituído pelo de munição real, e os números que chegam à nossa redação desenham um cenário de tragédia humanitária sob um manto de silêncio digital.


As últimas 24 horas foram marcadas pelo que ativistas chamam de "Quarta-Feira Sangrenta", cujos reflexos ainda ecoam hoje.


O Balanço do Terror: 65 Vidas Interrompidas


Até a manhã deste sábado (10), organizações internacionais de direitos humanos, como a Human Rights Activists News Agency (HRANA), confirmaram que o número de mortos subiu drasticamente.




  • Vítimas Confirmadas: Ao menos 65 pessoas perderam a vida desde o início dos atos em 28 de dezembro.




  • Infância Sob Fogo: Entre os mortos, há o registro desolador de pelo menos 9 menores de idade.




  • Prisões em Massa: O número de detidos já ultrapassa 2.300 pessoas, espalhadas por centros de detenção que, segundo relatos, já operam acima da capacidade.




  • Baixas no Regime: O governo iraniano admite a morte de cerca de 14 membros das forças de segurança, incluindo agentes da milícia Basij, em confrontos diretos nas ruas de Teerã e Hamedan.




A discrepância nos números é a marca da censura: enquanto ONGs falam em mais de 60 mortos, fontes médicas em Teerã, sob anonimato, sugerem que o número real em todo o país pode ser assustadoramente maior, dada a dificuldade de registrar óbitos em áreas rurais e províncias isoladas.


Histórias que o Apagão Não Esconde: O Luto de Shiraz


Em Shiraz, no sul do país, a história de uma das vítimas tornou-se o símbolo da resistência. Uma jovem universitária, que protestava pacificamente contra o preço dos alimentos, foi atingida durante uma investida da Guarda Revolucionária.


A imagem de sua mãe, sentada em frente a um hospital sem conseguir notícias devido ao apagão total da internet (que hoje atinge quase 90% do território iraniano), rodou o mundo via satélite. É o "Manual do Silêncio" em prática: sem rede, as famílias não conseguem se organizar, e o mundo não consegue ver a extensão da repressão.


O Tabuleiro Geopolítico e o Bolso do Brasileiro


A crise não é apenas uma questão de fronteiras. O presidente Donald Trump subiu o tom neste fim de semana, chamando o regime de "opressor" e alertando que as mãos da liderança iraniana estão "manchadas de sangue".


Por que Fortaleza deve se preocupar?




  1. Petróleo em Xeque: O Irã é um dos pilares da OPEP. A instabilidade e a ameaça de sanções totais ou intervenção externa fizeram o petróleo saltar novamente. No mercado internacional, o barril já flerta com valores que não víamos há anos.




  2. Inflação na Bomba: Para o fortalezense, isso significa que a pressão sobre os preços dos combustíveis, que já estava alta devido à crise na Venezuela, ganhou um novo combustível — desta vez, vindo do Golfo Pérsico.




O Próximo Passo do Regime


O Judiciário iraniano parou de usar palavras diplomáticas. Agora, fala-se abertamente em "castigo severo" para os manifestantes. Com as principais cidades sitiadas e a internet cortada, o Irã vive horas de incerteza absoluta.


A pergunta que fica nas chancelarias de todo o mundo, e que discutimos aqui no Page News, é: até onde o regime irá para manter o controle, e qual o preço em vidas humanas que o "Sul Global" está disposto a tolerar?

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