Publicado em: 05/01/2026
O cenário que deveria ser de celebração e luxo nos Alpes Suíços transformou-se em um dos capítulos mais dolorosos deste início de 2026. Hoje, as autoridades do Cantão de Valais confirmaram a identificação de todas as 116 pessoas feridas e dos mortos do devastador incêndio que atingiu um complexo de chalés e hotéis em Crans-Montana durante a virada do ano.
Enquanto os hospitais de Genebra e Lausanne lutam para estabilizar os feridos mais graves, o silêncio fúnebre tomou conta das pistas de esqui. O governo suíço deu início, nesta manhã, ao processo de repatriação dos primeiros corpos de cidadãos estrangeiros, marcando o começo de uma despedida global.
O incêndio, que teria começado por volta da 1h da manhã do dia 1º de janeiro, espalhou-se com uma velocidade aterradora devido aos ventos fortes e às estruturas de madeira tratada dos chalés históricos.
O Balanço: Além dos 116 feridos (sendo 28 em estado crítico com queimaduras de terceiro grau), as autoridades confirmaram o óbito de 14 pessoas.
As Vítimas: O grupo de atingidos é um mosaico internacional. Entre os identificados estão turistas da França, Reino Unido, Estados Unidos e três cidadãos brasileiros que passavam as festas na região.
A Causa: Peritos da polícia científica suíça trabalham com a hipótese de um curto-circuito no sistema de aquecimento central de um dos hotéis, exacerbado por fogos de artifício lançados nas proximidades.
O aeroporto de Sion tornou-se um ponto de logística humanitária. Hoje, os dois primeiros aviões militares — um francês e outro britânico — decolaram levando as primeiras urnas funerárias.
O Itamaraty, por meio do consulado em Genebra, informou que está em contato com as famílias dos três brasileiros atingidos. Dois deles seguem em observação com ferimentos leves, mas um jovem empresário de São Paulo, infelizmente, está entre as vítimas fatais. O traslado de seu corpo para o Brasil está previsto para ocorrer até a próxima quarta-feira.
"O que vimos foi uma armadilha de fogo na neve. As pessoas tentavam sair pelas varandas, mas a temperatura era insuportável. É uma tristeza que não combina com a beleza desse lugar", relatou Jean-Pierre, um dos socorristas locais que atuou na noite da virada.
A tragédia em Crans-Montana acendeu um alerta vermelho em toda a Europa sobre as normas de segurança em resorts de esqui antigos. O governo suíço anunciou que fará uma revisão imediata nos alvarás de prevenção contra incêndios em todos os estabelecimentos construídos há mais de 30 anos nos Alpes.
Para os brasileiros que costumam eleger os vilarejos suíços como destino de inverno, o clima é de apreensão e luto. Agências de viagem em Fortaleza e São Paulo já registram pedidos de cancelamento ou adiamento de viagens para a região por conta do trauma coletivo.
Enquanto as cinzas são removidas, a investigação criminal segue. O Ministério Público da Suíça busca determinar se houve negligência na manutenção dos sistemas elétricos do complexo. Para as famílias das 116 vítimas identificadas, 2026 não começou com brindes, mas com a difícil tarefa de reconstruir vidas marcadas pelo fogo.