Ouro Negro e Pólvora: Por que o Petróleo Venezuelano é o Verdadeiro Centro do Alvo dos EUA - Pagenews

Ouro Negro e Pólvora: Por que o Petróleo Venezuelano é o Verdadeiro Centro do Alvo dos EUA

Publicado em: 04/01/2026

Ouro Negro e Pólvora: Por que o Petróleo Venezuelano é o Verdadeiro Centro do Alvo dos EUA
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Domingo, 4 de janeiro de 2026


Enquanto o mundo assiste às imagens da captura de Nicolás Maduro, um dado silencioso, mas ensurdecedor, explica por que os holofotes de Washington jamais deixaram de mirar Caracas: debaixo do solo venezuelano repousa o maior tesouro energético do planeta. Não é apenas uma questão de regime político; é uma questão de 303 bilhões de barris.


Para se ter uma ideia, a Venezuela detém cerca de 19% de todas as reservas provadas do mundo. É um oceano de óleo que supera gigantes como a Arábia Saudita e o Irã, e que coloca o país vizinho ao Brasil em uma posição estratégica que nenhum governo americano, especialmente sob a gestão de Donald Trump, ignora.




O Gigante Adormecido: Números que Assustam


Apesar de ter as maiores reservas, a Venezuela vive um paradoxo: possui o ouro, mas perdeu a ferramenta de mineração. Após décadas de má gestão e sanções severas, a produção que já foi de 3 milhões de barris por dia caiu para cerca de 1,2 milhão no final de 2025.





































País Reservas (Bilhões de Barris) % Global (aprox.)
Venezuela 303,2 19%
Arábia Saudita 267,2 16%
Irã 208,6 12%
Canadá 159,0 10%
Brasil (Pré-Sal) 14,8 < 1%

O petróleo venezuelano, porém, não é como o "leve e doce" da Arábia Saudita ou do nosso pré-sal. Ele é classificado como extrapesado. Imagine um melaço grosso, carregado de enxofre e metais, que exige refinarias ultraespecializadas para virar gasolina. Ironicamente, as refinarias mais capazes de processar esse "óleo difícil" estão no Golfo do México... nos Estados Unidos.




A "Bênção e a Maldição" na Mesa do Fortalezense


Aqui em Fortaleza, a 4.500 km de Caracas, esse embate geopolítico não é abstrato. O Porto do Pecém e as distribuidoras locais sentem o impacto imediato de qualquer tremor na Venezuela por um motivo simples: volatilidade.


Ontem, logo após o ataque, o barril de petróleo Brent oscilou bruscamente. Analistas do setor em Fortaleza alertam que, se os EUA assumirem o controle estratégico ou a gestão das refinarias da PDVSA (estatal venezuelana), poderemos ver dois cenários:




  1. Curto Prazo: Alta nos combustíveis devido à incerteza da guerra e possíveis represálias de aliados da Venezuela (como Rússia e China).




  2. Longo Prazo: Uma possível queda acentuada nos preços globais, caso a tecnologia americana recupere a produção venezuelana, inundando o mercado com oferta.




O Depoimento de quem conhece a "Riqueza Amaldiçoada"


Miguel Arango, engenheiro de petróleo venezuelano que mora há dois anos na Praia de Iracema e trabalha com consultoria de energia, resume o sentimento de muitos conterrâneos:



"Teníamos todo para ser la Dubái de América, pero el petróleo se convirtió en nuestra cárcel. Ver a otros países pelear por nuestro suelo mientras nosotros no tenemos pan es la gran tragedia de mi generación".


Tradução: "Tínhamos tudo para ser a Dubai da América, mas o petróleo se tornou nossa prisão. Ver outros países brigarem pelo nosso solo enquanto nós não temos pão é a grande tragédia da minha geração."



O Jogo de Xadrez de 2026


A "Operação Liberdade" capturou Maduro, mas o verdadeiro prêmio está nos poços da Faixa do Orinoco. Trump já sinalizou que os EUA terão "forte atuação" no setor petrolífero venezuelano para garantir a "estabilidade energética do Ocidente".


Para o Ceará, que busca se tornar o Hub do Hidrogênio Verde, a queda ou ascensão do petróleo venezuelano dita o ritmo da nossa própria transição energética. Se o petróleo ficar barato demais, o incentivo para energias limpas pode esfriar. Se a crise escalar, o sol e o vento do Ceará serão, mais do que nunca, a nossa salvação.

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