Publicado em: 21/01/2026
O que antes parecia coisa de filme virou um problema real — e em escala alarmante. Em apenas dois anos, o número de vídeos e imagens falsas gerados por inteligência artificial, conhecidos como deepfakes, saltou de cerca de 500 mil para mais de 8 milhões, segundo levantamentos internacionais sobre monitoramento de conteúdo digital. O crescimento exponencial escancara um novo capítulo da desinformação nas redes sociais.
As imagens hiper-realistas e vídeos manipulados têm sido usados para enganar usuários, atacar reputações, aplicar golpes financeiros e até influenciar debates políticos. Hoje, com poucos cliques e ferramentas acessíveis, qualquer pessoa consegue criar um conteúdo falso com aparência quase indistinguível da realidade.
Especialistas em tecnologia alertam que o avanço da IA generativa corre mais rápido que a capacidade de fiscalização. “O problema não é só a tecnologia, mas o uso mal-intencionado dela. O impacto é social, político e econômico”, avalia um pesquisador da área de segurança digital.
Casos envolvendo falsos pronunciamentos de autoridades, celebridades em situações que nunca aconteceram e até pessoas comuns vítimas de montagens já se tornaram frequentes. Em muitos casos, o estrago ocorre antes mesmo que a falsidade seja desmentida.
Além de fake news, os deepfakes têm sido usados em golpes financeiros, especialmente com vídeos falsos de empresários, médicos e influenciadores pedindo transferências via Pix ou promovendo investimentos fraudulentos. Outro ponto sensível é o período eleitoral: conteúdos manipulados podem interferir diretamente na opinião pública.
No Brasil, o tema já entrou no radar do Judiciário e do Congresso Nacional, com debates sobre regulamentação da inteligência artificial, responsabilização das plataformas e punição para quem cria ou divulga conteúdo falso com intenção criminosa.
No Ceará, o alerta também está ligado. Em Fortaleza e em cidades do interior, profissionais da comunicação e da educação digital relatam aumento de conteúdos suspeitos circulando em grupos de WhatsApp e redes sociais. Vídeos falsos envolvendo políticos locais, supostos comunicados oficiais e até imagens de tragédias inexistentes já foram identificados.
Especialistas recomendam atenção redobrada: desconfiar de conteúdos sensacionalistas, verificar a fonte, buscar veículos de imprensa confiáveis e não compartilhar material duvidoso. “A velocidade da mentira é maior que a da checagem. Por isso, a responsabilidade do usuário é fundamental”, reforça um analista de mídias digitais.
Enquanto a tecnologia avança, cresce também a necessidade de educação digital, checagem de fatos e ferramentas capazes de identificar conteúdos manipulados. A inteligência artificial não é, por si só, a vilã — mas seu uso sem limites e sem controle pode comprometer a confiança na informação.
O salto de 500 mil para 8 milhões de conteúdos falsos em apenas dois anos mostra que o problema não é futuro. Ele já está entre nós — inclusive no Ceará.